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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Enquanto houver um cão abandonado, nunca serei um ser humano totalmente feliz.
«Meu amigo, sei que não vais ler estas palavras, porque não nasceste com o dom da leitura, mas mesmo assim, quero libertar esta minha alma que sofre ao ver-te aí deitado num qualquer chão frio.
O teu abandono, é cruelmente ignorado por quem caminha apressado, sem ter dó nem piedade do teu sofrimento.
Ficas parado por momentos, apenas à espera que tudo não passe de um equívoco de quem te deixou numa agonia que não conhecias.
Já não tens onde dormir, nem com quem brincar, nem de uma mão para te acariciar, nem de ver o sorriso de quem te dava de comer.
Estás só no mundo, a vaguear junto à estrada, na esperança que te venham buscar.
Os dias vão passando, a fome vai apertando, a tristeza vai-se fixando no teu olhar...e que triste é o teu olhar...
Que destino o teu, depois de fazeres as alegrias de uma casa, seres deitado ao abandono, como um trapo velho que se deita no lixo.
Não compreendem que tens sentimentos, que sofres, que choras como qualquer ser humano, que de humano tem cada vez menos.
Hoje choro contigo, choro de ódio por quem cruelmente e desprezivelmente te abandonou, choro de ódio por não te poderes defender.
Enquanto houver um cão abandonado, nunca serei um ser humano totalmente feliz.»
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Com o coração apertadinho... (2)
A Shivva, assim a «baptizei», já está em casa...
Foi um fim-de-semana caótico...
Ela está a restabelecer-se... os resultados das biopsias deram negativo. Que alívio... O que ela tem é artroses já muito avançadas para a idade, mas com medicação, que vai tomar para o resto da vida, pode-se contornar as dores, mas não a sua capacidade fraca de locomoção.
Os cães lá de casa estão a tentar habituar-se a ela: as minhas cadelas, de cujas histórias já partilhei noutros posts, além de dominantes, são animais bastante carentes e possessivos, pois tiveram um passado não muito agradável e qualquer mudança soa a ameaça, principalmente um novo elemento...
Já o meu príncipe negro, o meu Lippi, achou muita graça à companhia de uma nova menina (a cereja em cima deste bolo era ela estar a iniciar o cio), coisa que ainda dá mais trabalho, pois ela está frágil e não consegue ainda o controlo dos movimentos. Ele tem energia pelos dois, mas ela quer sopas e carinho...
Têm de estar separados e com vigilância redobrada.
A Shivva é uma menina muito aflita e carente, que por ter passado muita fome e sede, têm grave problemas de possessividade. Quer dominar tudo: a comida, a água, as camas, os donos... Isto não está a ser um começo nada fácil...
Durante a noite, quando fica sozinha, chora e arranha e morde as portas toda a noite. Temos umas olheiras até ao chão...
Espero que as coisas acalmem pois o Natal está à porta e vou ter a casa cheia. Estou a entrar em desespero...
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Com o coração apertadinho...
Este sábado fui às compras para a horta, pois preciso de mais alfaces para plantar, e à vinda, a caminho do carro no estacionamento, encontrei esta menina assim no chão, completamente se acção, sem vontade de viver... Estava a intrigar-me e quando me aproximei deparei-me com a imagem da desolação em forma de cão: a extrema magreza impressionou-me de tal maneira que não consegui sair mais dali sem arranjar uma solução! Já não tinha forças nem para mastigar o bocado de pão que lhe tinham atirado pouco tempo antes de eu passar, disseram-me na altura os vendedores daquele «mercado» improvisado. Meu Deus, como era possível!!! Aquela menina tinha pura e simplesmente desistido de viver!!!
Tive de arranjar uma solução, coisa que é difícil num país sem carinho pelas pessoas, quanto mais pelos animais. Corri os supermercados em busca de água e de comida húmida, por me parecer o mais apropriado para ela conseguir engolir sem muito esforço, e consegui que comesse. Fiquei feliz por isso e ela também, pois a sua primeira reacção foi lamber-me a mãos como quem agradece... Cortou-me o coração! Levantou-se e a imagem ainda foi mais desoladora: não colocava uma das patas no chão. O passo seguinte e possível foi transportá-la para um hospital que fica ainda a cerca de 80 kms dali. E, quando se abriu a porta do carro, ficou tão feliz que só não entrou logo porque precisou de ajuda para subir...
É linda e meiga, apesar das dores horríveis que deve ter!!! Tão meiga que veio a viagem inteira com o focinho nos nossos ombros e a lamber as nossas orelhas...
Dá para perceber, até porque eu já não sou uma estreante nestas andanças, que já teve um dono, que sabe o que é uma mão, um carro, uma coleira/trela, enfim, já teve uma casa. Como é que é possível abandonar um animal assim, sem mais nem menos???
As notícias da sua saúde ainda não são claras: sinais vitais bons, mas um raio-X com muitas reservas... a possibilidade de ter um tumor na coxa...
Bom, a situação passou de má a péssima e além de ter de lá ficar, ainda vai, muito provavelmente, sofrer uma intervenção, coisa para estar internada bastante tempo e fazer aumentar e muito a nossa conta! Lá vai esta dupla ficar sem presente de Natal novamente... e espero que o valor seja o suficiente porque senão... Tenho pena porque o meu rapaz merecia mesmo um presente este ano, que foi um ano tão difícil (por uma situação que um dia talvez conte com pormenor)... mas ela precisava de nós...
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Festa de Natal de apoio à Associação Bianca
Foi este Sábado a Festa de Natal da Associação Bianca. É um jantar para os amigos, colaboradores, voluntários e adoptantes.
Há um concurso de sobremesas e fiz uma tortinha de laranja que encontrei no blog da Carla, Vícios e Sabores, mas não ficou tão bonita como a dela, mas ficou muito saborosa!!!
Também fiz uns frasquinhos com uns miminhos caseiros para os cãezinhos dos meus amigos. São uns biscoitinhos para cão que faço em casa, pois os meus bebés não ligam nada às coisas industriais... A minha mãe diz que os habituei mal, mas eu quero lá saber! Dão um bocadinho de trabalho, mas eles adoram!!! E eu assim sei o que estão a comer!
Aqui estão:
Há um concurso de sobremesas e fiz uma tortinha de laranja que encontrei no blog da Carla, Vícios e Sabores, mas não ficou tão bonita como a dela, mas ficou muito saborosa!!!
Aqui estão:
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Plano para o fim-de-semana: jardinar! jardinar! jardinar! e brincar! brincar! brincar!
Espero que o tempo ajude!!!
Apetece mesmo cuidar da minha horta que com esta chuva toda está a ficar com algumas ervas daninhas...
Colher algumas coisas para colocar na panela é outro objectivo que vicia depois de experimentar coisas acabadas de colher...
Esta alface foi das primeiras e estava mesmo de estalar!
E depois, brincar com os meus bonequinhos, que ficam cheios de saudades dos mimos durante a semana...
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
O quinto elemento
Esta pequenita é a Lunna. O 5.º elemento lá de casa.
Foi encontrada no meio da estrada completamente desorientada e com imenso medo... Tenho a plena convicção de que foi atirada de um carro em andamento pelo comportamento dela quando se liga o carro.
É uma menina muito dada, mas com um feitio especial.Chamo-lhe 5.º elemento por isso mesmo. É a mais pequena e a última que chegou a casa, mas isso não a impede de querer mandar! É tudo dela!
Foi inicialmente um problema ter duas cadelas dominantes, mas como a Lunna não liga muito ao Lippi, o macho que a outra, a Annett, ama de paixão, aprenderam a tolerar-se e a respeitarem-se para «pensarem em matilha».
Não era suposto ter mais cães (ela também não é bem um cão, é só metade ou nem isso), por isso ainda esteve para adopção mas já não conseguimos viver sem ela... Não vou repetir o que já lhe fizeram.
Ela, tal como os outros, só quer mimos...
Agora estão felizes!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Os 4 patas lá de casa!
Estes são o Lippi e a Annett. Os meus bebés do coração! Esta foto foi tirada no dia em que fomos buscar a cadela, a branca e castanha.
A história destes dois é linda. O amor que os une vai para além do meu conhecimento e percepção.
Há dois anos, quando a mudança para uma casa provinciana começou a ganhar contornos definitivos, pensei em realizar mais um daqueles desejos de sempre: um cão! A ideia não foi assim pensada com data marcada, mas tinha já comigo algumas certezas: não tinha de ser de raça, não queria comprar (muito menos em lojas - comércio de animais em lojas é coisa que eu abomino), não tinha preferências de tamanho ou idade, enfim, só tinha de ser «aquele», ou seja, o que me «dissesse» «Quero ir contigo!» de uma qualquer Associação.
Num dia lindo e óptimo para passear de Outubro - no próprio dia do animal, dia 4 - fomos até por acaso aos relvados dos Jerónimos onde estava a decorrer uma campanha de adopção. A campanha tinha várias associações e, como já era tarde, já estavam a recolher os animais. O único que vi, com o focinho meio metido numa tigela de água, foi o Filipe, como me disse a voluntária que lá estava. Ele olhou para mim e apaixonámo-nos mutuamente...
A associação é a Bianca e a voluntária a Filipa, que tinha resgatado este cãozito da rua (é madrinha dele, por isso se chamava Filipe).
Passámos a ir visitá-lo todos os sábados e a levá-lo à praia em Sesimbra (a associação é de Sesimbra).
Ele começou a não querer ficar lá sem nós. Foi de partir o coração quando começou o mau tempo e ter de deixá-lo lá.
No Natal fomos buscá-lo para o nosso apartamento, sem querer saber das consequências, pois ele já era bem grandinho e sempre vivera em terra batida e sem regras. Foi o melhor que fizemos. Ele revelou-se um animal de grande sensibilidade e inteligência, mesmo com os traumas que trazia de uma tentativa de adopção anterior mal sucedida (tinha medo de tudo, até dos sacos de plástico!).
Mudámos, entretanto, de casa.
Começamos então a «ajudar» a associação e a ver que a Annett, a grande amiga do nosso agora Lippi, estava a deprimir sem ele. Todos os sábados esperava pela nossa chegada e, quando não íamos, não saída do portão (coisa que nunca se tinha visto nela). Como é que aquela bichinha sabia que era sábado? Pois, eu também não faço ideia...
A história da Annett é muito simples. Apanhada numa praia em cachorra e nunca conheceu nada mais do que o ambiente da associação. Tem um temperamento calmo e independente, não se entrega às pessoas com facilidade, tem alguns problemas de deficit de afecto. É mesmo muito carente. Na altura não tinha consciência disso. Não se dava com muitos outros cães, com a excepção do seu querido Lippi.
Não aguentámos... Fomos buscá-la!
Eles adoram-se!!! São o que chamo do verdadeiro Amor Canino!
E, mesmo sendo adoptados já adultos e sem nunca terem tido regras, são os melhores cães do mundo! Tenho vasos, plantas, cadeiras, almofadas, cds e tudo o que se possa imaginar e está tudo no sítio!!!
São uma bênção!
A Annett está a aprender a brincar e o Lippi já acha muita graça a sacos de plástico.
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